Capitulo 5 – O Sonho (Parte narrada por Antonio)
Eu estava em uma sala, repleta de espelhos, de todas as formas e tamanhos. E em cada espelho, via alguma de minhas recordações mais dolorosas, tentei as enfrentar com todas as forças, mas ajoelhei-me no chão, com as mãos sobre o rosto, pois ao olhar para frente, vi uma outra pessoa naquela sala. Eu me vi na sala, então percebi que estava dentro de um dos espelhos, talvez vivendo um momento difícil.
O outro eu, me olhava fixamente nos olhos, em pé, resolvi o encarar também, porém, era mais difícil do que eu imaginava. Os olhos da figura a minha frente não eram iguais aos meus, mesmo não tendo certeza de como meus olhos estavam agora, creio que não estariam vermelhos como o da figura à minha frente. Não era fácil olhar para aqueles olhos raivosos, mas eu tentei.
Ele estava vestido da mesma maneira que eu, uma espécie de manto preto, um pouco rasgado nas mangas e na parte da saia.
E nisto, eu percebi que estava errado, não estava em espelho algum, mas ele também não estava.
Ele se abaixou e apanhou meu rosto com uma de suas mãos delicadas, meus olhos já não sabiam para onde olhar, mas o estranho a minha frente me obrigava a olha-lo, quando ele interrompeu o silencio e falou:
_ Você tem medo de si mesmo? – o outro eu perguntou com um sorriso de canto no rosto.
_ Não, não tenho medo de você – respondi, admito que estava com um pouco de medo.
Ele me olhou indeciso, e novamente sorrio, respondendo:
_ Então lhe ajudarei – ele apanhou meus pulsos os virando para cima com rapidez, e os lambeu com a ponta da língua. Assustou-me de principio, mas o pior ainda estava por vir. Sua saliva foi ficando vermelha, até se transformar em sangue. Isso marcou meus pulsos, em cada um havia uma cruz rodeada por uma corrente, e com um cadeado a fechando no centro.
_ O que é isso?! – Gritei desesperado, esfregando minha mão por cima, tentando retirar a “tatuagem” deixada.
_ Isso é apenas a última parte do pacto. Não precisa ficar preocupado, nós nos veremos novamente. Amanha antes das sete da noite.
Ele se sentou a minha frente, e observou um dos espelhos, serio.
_ O que é você? O que você fez comigo?! – perguntei aos gritos, esfregando ainda meus pulsos.
Ele olhou para mim novamente, com um ar de quem estava cansado de minhas perguntas, um olhar triste, sozinho. E respondeu:
_ Eu sou você, na medida do possível – olhou para frente brutamente - Eu sou um Servo, seu Servo.
_ Um... Servo?
_ Sim, um Servo, uma criatura criada por um anjo, a partir de um minúsculo pedaço de alma humana, através de algo “intimo”, como um beijo. Fui criado para concretizar um pedido, no seu caso, ajuda-lo a cumprir o pacto. Depois disso vou... Desaparecer.
_ Mas, se você sou eu...Meus olhos não são...- o Servo interrompeu minha fala.
_ Vermelhos? É porque sou uma parte anjo também. O anjo utiliza uma de suas penas, geralmente, ou um pouco de seu sangue, quando nos criam.
_ E como você sabe de tudo isso se...- o Servo interrompe novamente...
_ Se eu acabei de nascer? Porque não é apenas uma alma e uma parte de um anjo que faz um Servo, é necessário bem mais para conseguir criar-lo. Uma parte de um anjo, um pedaço de alma viva humana, algo intimo entre o anjo e o humano vivo, e um pedaço de alma morta humana que não tem mais direito a reviver. – o Servo falava com ignorância.
_ Então você vai matar... ?
_ Sim, nós vamos. Este foi o pacto não é? Então entre as sete horas da noite, e as sete da manhã, eu serei você. E após uma semana, tudo acabará. Recomendo que durma antes das 6.00 PM, pois assim o processo é menos dolorido.
Devo dizer que me senti um pouco aliviado quando ele disse que eu não precisava matar ninguém, mas isso ainda me deixava muitas duvidas, mas não foram respondidas, pois eu acordei.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Vermelho Escarlate Capitulo 5- O Sonho
Postado por Marry Gabriele às 15:47
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