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terça-feira, 23 de março de 2010

Vermelho Escarlate- Capitulo 4- O Pacto

Capitulo 4- O Pacto






Escurecendo, as folhas dançavam conforme o vento soprava e sussurrava nos ouvidos, passava dentre os fios de cabelo de Antônio, sua ultima lagrima caiu.
Suas mãos sujaram seu piano.
Uma pausa dramática aconteceu, enquanto Antônio olhava suas mãos sujas.
A porta se abriu brutamente, o vento invadiu a casa, trazendo com sigo folhas secas que estavam espalhadas pelo jardim mal cuidado.
Antônio bate cruelmente nas teclas de seu piano com as mãos fechadas, fazendo um som desafinado ecoar pela casa.
O vento cantava lá fora, e Antônio estava sozinho... Sozinho.
Sozinho, Sozinho, Sozinho, Sozinho, Sozinho, Sozinho...
Abraçou a si mesmo, mas mesmo que tentasse, suas lagrimas não corriam por seu rosto.
Olhou o seu reflexo pelo vidro da janela, e teve nojo de si mesmo.
“Inútil, imprestável, sua culpa, sua culpa!” Repetia para si mesmo em sua mente, tentando se culpar o menos possível “você poderia ter feito algo, não passa de um assassino!”.
_Desculpe Lucy, Desculpe... – sussurrava, abraçando-se.
E novamente se relembrou da cena, doía pensar nisso, ver a cena de sua irmã morta.
O vento soprava forte e bruto, mas por um instante, ele parou.
Por um instante não ouviu nada, o que alimentou sua solidão.
Não havia vento, não havia chuva, não havia trovoes, não havia piano, não havia acordes, não havia respiração, não havia nada.
Até que por um segundo, juraria ouvir uma criança chorando, mas ele já não existia, como poderia existir outra pessoa lá?
Mas esse segundo se converteu em minuto.
Notou que não estava mais sozinho, havia sim alguém ali, uma criança ou um bebe chorando. Quase não se importava com isso.
Antonio levanta-se com brutalidade, e segue até a porta de entrada, dando uns passos a mais, até a escada.
Tinha medo de olhar para o lado, e ver o que ali estava. Seu coração começou a pulsar mais forte, Antonio suava e tremia, estava com a pele opaca. Com medo do que viria olhou para seu lado esquerdo, no mesmo local onde Lucy havia sido enterrada, e lá viu.
Paralisou-se. Estremeceu-se, e por fim, viu Lucy, ali ajoelhada de costas, com suas delicadas mãos no rosto, seu cabelo com aparência molhada e suas lagrimas molhando o chão.
Antônio por impulso foi ate Lucy, correndo. Ao chegar perto, parou, e a abraçou lentamente.
Não a sentiu.
_Lucy...? – perguntou para a garota à sua frente, mesmo sabendo que ela não responderia, ela não podia, Lucy não falava, era uma criança sem voz.
Antonio não quis se afastar, pois mesmo sendo um “fantasma” era Lucy ali.
_ An...Tônio...- Sussurrou Lucy, com dificuldade.
_Lucy? Lucy! Você não... -Neste momento Antonio salta para trás, seu medo volta à tona novamente, sua mão o apóia por trás, recuando cada vez mais.- Você não fala...
A garota, que agora parecia ter saído de um filme de terror para Antonio, ia cada vez mais para frente, quando mais Antonio recuava. Ela fitou os olhos verdes rubi de Antonio, seus cabelos molhados pingavam, e lagrimas de seu rosto caiam de seus olhos esbugalhados e amedrontados.
_ Não... Não... Dizer... – Lucy falou com dificuldade, mas rápido.
Antonio não entendia o que ela estava querendo falar, não queria entender, queria fugir, com medo. Lucy era muda, não podia falar... Mas também estava morta, e não podia estar ali. E tudo o que ele queria era não ter procurado o motivo do choro, mesmo dando de tudo para ver sua irmãzinha outra vez em vida.
Desistiu quando notou que quanto mais recuava mais Lucy seguia para frente dizendo repetidamente “não... não dizer”.
_ O que não dizer Lucy? – Antonio amedrontado, recupera sua coragem e com ar no peito pergunta.
_ Sim. – Lucy respondeu.
Antonio não entendeu a resposta, ainda estava pálido, e tremendo por ter visto o espírito de sua pequena irmã, e então percebeu, o quando ela estava sofrendo, talvez por ter morrido.
Ela então recuou, seus cabelos molhados caiam em frente de sua face de mármore. Esticou seus braços para frente, tentando alcançar Antonio, mas não conseguia, Antonio então esticou seu braço para alcance-la, mas quando suas mãos se encostaram o vento soprou, e Lucy nele se diluiu.
Antonio realmente nesta vez sentiu as mãos dela, sua mão estava fria e dura.
Abraçou a si mesmo, culpando-se novamente pela morte da irmã, se espremeu como um feto em si mesmo, e gritou com toda sua forca:
_ Lucy! – Antonio pensava em explicações para aquilo, tentava não se culpar, mas era impossível, ele sabia de quem era a culpa, era do assassino, daquele que não conseguiu salvar sua mãe, daquele que sabia quem era o assassino, mas mesmo assim, nunca contou, a culpa era dele mesmo, de Antonio.
_É um sonho, é um sonho-repetia consigo mesmo, enquanto o vento batia forte em seu corpo.
A arvore ao lado de Antonio mexia-se conforme o vento soprava, e em baixo dela, o vento batia no cabelo de outra pessoa.
_Tse,tse,tse- uma outra pessoa falou essa onomatopéia enquanto fazia não com o dedo indicador.- Isso não é um sonho, Antonio.
Antonio olhou para o lado, cada vez mais assustado, com a mão cobrindo o rosto deixando apenas seus olhos transparecerem entre os fios sujos de cabelo loiro.
Antonio imaginava que estava louco, que isso que ele merecia, que havia só mais um passo par ir para o inferno. Morrer. Talvez fosse isso que aquele anjo que estava na sua frente agora viesse fazer isso, leva-lo para lonlonge, para o inferno, a tal besteira que Marta também imaginou, mas pensando ir para o céu no seu suicídio.
O cabelo vermelho do anjo batia e ele sorria.
_ Você deve imaginar que está louco, não é Antôninho? Hihihi – rio o anjo, com a mão na frente da boca.
Neste momento, levantou-se e se locomoveu para perto de Antonio, que estava espremido no chão com o rosto coberto por suas mãos sujas, e sentou-se na frente do garoto loiro e sujo de barro.
_ Está com medo, Antôninho? Hihihi-riu novamente o anjo, suas vestes negras com diversos cintos eram com um pouco de dificuldade carregadas pelo vento.- e se... Você fizesse um acordo comigo?- o anjo agora olhava o rosto abaixado de Antonio.
Antonio voltou a realidade por um instante, e perguntou: 
_ Q...Que tipo de acordo?- suas mãos tremiam, e Antonio novamente suava frio.- Um pacto? – falou recuando.
_ É... Acho que podemos chamar isso de pacto, Antôninho... Ou talvez de troca. Hihihi.
Antonio fitou os olhos verdes do anjo por um segundo rápido, em seguida desviou o olhar para o canto direito de baixo.
_ N...Não posso... – falou após retirar as mãos do rosto.
Os olhos do anjo foram mudando de verde rubi para castanho avermelhado e em seguida para vermelho escarlate.
_ Não? Não?Hahaha-o anjo riu com um sorriso de loucura estampado no rosto andrógeno.- Não, não, não... Antôninho não vai salvar Lucy, Antôninho vai deixar Lucy sozinha com sua avó, no quarto... Morrendo...Hihihi.
Antonio relembrou-se da cena, do passado, e tudo isso confundia sua cabeça, as lagrimas eram impedidas de cair por orgulho, o mesmo motivo que o fez levantar seu rosto, e perguntar:
_Qual é o acordo? – tentou levantar-se, mas o Maximo que conseguiu levantar foi sua cabeça. Seu corpo mal mexia de medo, gaguejava ao falar.
_ Em fim, estamos nos entendendo, Antôninho...- o anjo, então desaparece por um segundo e reaparece em pé na frente de Antonio, observando Antonio de cima. – Quanto você acha que vale uma vida, Antôninho?Duas... Três... Sete? Hihihi...
Antonio levanta seu rosto, agora olhando os olhos verdes novamente do anjo, seu cabelo loiro caia sobre seu rosto sujo, carregado ainda pelo vento.
O anjo abaixa sua coluna, e um pouco seu joelho, chegando cada vez mais perto do rosto de Antonio. Com sua mão direita apanhou levemente a parte esquerda do rosto “morto” de Antonio.
_ Você daria a vida de sete mulheres para salvar apenas uma, a que você mais ama? – falou fitando os olhos de Antonio, com uma expressão simpática, falsa.
_ Lucy? – perguntou Antonio, inocente.
_ Sim, Lucy... Basta me dar as vidas de sete pessoas...
_ Matar?
_ Sim, matar. Hihihi – sorrio com a mão em frente à boca.- Para ter Lucy de novo... Para sempre. 
_Eu não posso... – olhou para baixo novamente, abaixando sua cabeça.
_ Eu posso te ajudar, não se preocupe com isso... Eu só vou precisar de seu corpo Antôninho. Você não faz nada...Quase nada.
_ Como? O que pretende fazer?
_ Você saberá se dizer sim... Hihihi.- sorrio com a mão em frente à boca, e começou a cantarolar – Lucy... Lucy... Lucy está com medo, do quarto escuro, de sua avó... Lucy, Lucy... 
Antonio tampou os ouvidos tentando não ouvir a canção, seus olhos se fecharam, e a mão gelada do anjo que ainda tocava o seu rosto pálido o levantou, fazendo-o abrir os olhos novamente.
_Salve Lucy, diga sim...
_Sim...!
_ O acordo será: Durante sete dias e sete noites, você matara sete mulheres, uma mulher por noite, o seu tempo limite por dia é, matar entre as 7 da noite às 7 da manha, está claro, Antôninho?
Antes que Antonio descordasse ou comentasse alguma coisa, o anjo se impulsionou para frente, e graciosamente lhe beijou. Antonio nada fez para impedir, para ele, aquilo era um delírio de sua mente confusa, nada estava acontecendo, mesmo parecendo real.
Ao terminar o beijo o anjo cochichou no ouvido de Antonio:
_ E assim selamos nosso pacto... – e desapareceu..
O anjo se diluiu pelo ar, de si, sobrou apenas uma pena vermelha, que caiu de sua asa e flutuou até encostar-se ao chão.
Antonio observou-a cair, e após isso, a apanhou com uma de suas mãos e a levantou, e ao entrar na sua casa, a colocou em cima das teclas de seu piano.
E foi tentou dormir.

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