Capitulo 2 - Doenças e Traumas
Marta, em meio de suas doenças e manias, lembra-se somente de suas tristezas e rapidamente escreve uma carta simples, uma despedida, com motivo e razões sobre o passado, e sobre o que vira no futuro. Com pena de si mesma, e de sua pequena e preciosa neta, decidiu acabar com este jogo.
Pediu a deus que a levasse em paz ao céu, mas o mesmo, não lhe mandou nenhum sinal de que faria.
Marta então abriu sua gaveta, vasculhando-a, apanhou uma chave e a colocou em seu bolso.
Rogou novamente a Deus, que nada fez. Jogou sua pequena carta em cima da mesa, onde havia seus rascunhos amassados, seu diário com algumas folhas rasgadas.
_ Deus, mostra me um sinal! Um sinal para não precisar fazer o que pretendo! – rogava Marta desesperada.
Um anjo a observa, de costas, ela mal percebe sua presença, e continua orando, rogando, até perceber a presença do sinal.
O anjo, fitou diretamente os olhos de Marta, cansados de chorar.
Ele estava sentado na janela aberta, que por onde agora, ventava forte, espalhando os papeis pelo quarto, fazendo com que o sol brilhasse atrás de si mesmo, Marta olhava-o como se fosse deus.
_ Para quem oras? – a voz do anjo iluminou o quarto. O cabelo e os olhos vermelhos do mesmo estavam direcionados para a senhora.
Marta correu ate seus pés, encheu de beijos e encharcou de lagrimas.
_Por favor, leve-me para junto de minha filha, meu marido!- Mal podia se acreditar que Marta Belluzzi, faria o que estava fazendo agora, rogando para o tal anjo. Ninguém nunca imaginaria algo assim de Marta, uma velha esnobe, orgulhosa, exibida, mas que mesmo assim rogava para ele, mesmo antes, nunca tendo acreditado na existência de Deus.
O anjo observava a reação da senhora, com nojo e ignorância nos seus olhos, respondeu:
_Para que levaria “algo” tão... Asqueroso e nojento comigo? Arranje seus próprios modos de ir para o céu! Oras, não tens um pingo de inteligência, para notar que nem deus, nem ninguém iria querer uma presença tão inferior por perto?
A mulher imediatamente parou de beijar os pés do anjo e o fitou com medo, se afastou para trás, ainda mirando seus olhos vermelho escarlate.
_ O que olhas? – As suas asas se abriram e com um impulso saio pela janela, algumas penas caíram, e se desfaziam ao se separar das assas, diluiam no ar.
Ao ver que o anjo, aquele que minutos atrás trazia esperança a Marta, que em fim mataria os fantasmas de seu passado, agora havia desaparecido entre suas penas, a loucura ficou mais presente em seus olhos.
“Deus me despreza desta maneira?”.
Levantou-se em silencio e foi ate a janela, observou as árvores, as montanhas de um lado, de o outro a cidade, e embaixo o lago...
O lago onde havia aquele fato acontecido.
_ Já que Deus me despreza, já que quase nada tenho...- falou em tom enlouquecido e começou a rir.-Lucy, Lucy, Lucy... – repetia cantarolando. -Lucy, Lucy, Pequena Lucy... Pequena Rose...- Cantarolava enquanto saia de seu quarto, indo em direção ao de Lucy.
O piano tocava no fundo acordes fortes e bravos, Marta sorria.
Seus passos eram arrastados, o corredor era comprido e escuro, a única janela ali, na direção contraria de Marta, sempre permanecia fechada, pois era a janela em que Rose sentava para observar o Lago Montres e pentear seu cabelo, todo dia de manha. Passou pelo corredor, ate chegar ao quarto de Lucy.
Sem bater na porta, entrou.
_Lucy, Lucy, Pequena Lucy... – cantarolava, abrindo a porta.
Entrou no quarto, e observou Lucy dormindo em meio de seus fios de cabelos loiros, exatamente, como Rose dormia quando criança. As semelhanças entre as duas eram inacreditáveis, ao menos pelo fato de serem mãe e filha.
Fechou a porta.
Os olhos enlouquecidos de Marta fitavam sua neta de longe, e aos poucos, de perto.
Suas mãos a envolviam sem a encostar, um sorriso enlouquecido enrubesceu o rosto idoso de Marta.
O piano ainda tocava no fundo. Os acordes iam ficando mais leves, e tristes.
Lucy acordou.
Abriu os olhos lentamente, deixando o verde rubi aparecer deles. Ao ver o rosto da avó, enlouquecido, seus olhos fitando-a, foi para trás, tentando recuar, fugir.
Marta a perseguia, sem encostá-la.
A garota ia cada vez mais para trás, suas mãos perderam o apoio e Lucy caio da cama de casal, e recuou ate encostar na parede, espantada, se protegia com as mãos para frente de seu rosto, encolhida e amassada na parede.
Marta se aproximava, ainda cantarolando, mais e mais perto de Lucy, que tentava gritar, mas como sempre, nenhum som saia de sua pequena boca.
A pequena sabia que mal podia falar, como ela chamaria por socorro? Por seu irmão... Antonio. Se pudesse falar neste momento a única coisa que queria era Antonio, o único que poderia a salvar das mãos daquela doida que a tratava como se fosse uma boneca e ela, Lucy, não podia fazer nada. Não podia gritar, não podia respirar.
Agora aquela senhora esnobe a segurava pelo pescoço, tentou resistir mas era fraca, era apenas uma criança... Logo parou de respirar.
Então era a vez de Marta, seus olhos loucos imaginavam um jeito de tirar a própria vida, era idosa e fraca logo, qualquer coisa que fizesse poderia correr risco de vida. Optou por pular da janela do quarto de Lucy, derrubando um pequeno criado mudo sem intenção, o que chamou a atenção de Antônio.
terça-feira, 2 de março de 2010
Vermelho Escarlate Capitulo 2- Doenças e Traumas
Postado por Marry Gabriele às 10:09
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