Capitulo 3- Os Cadáveres
Ao abrir a porta do quarto, o medo invade o rosto de Antonio. Viu a cena de alguns anos atrás novamente, e então, lagrimas molharam seu rosto.
“Lucy...” pensava Antonio, vendo a cena de longe.
Ele era tão cruel, merecia aquilo, mas, Lucy não, ela não merecia, ela era só uma criança... Uma bela criança, sem passado, sem futuro, que dês dos três anos de idade, nunca brincou com ninguém. Antes, ela tinha um amigo, um irmão, agora, ela mal tinha sua vida.
Talvez fosse a vez de Antonio, fechar seus olhos e sua vida. Porem, não foi isso que ele fez.
Agarrou o cadáver de sua irmã que tinha marcas pelo pescoço de mãos que não mereciam tocá-la.
Abraçou-a por todos os anos de sua vida que não a tinha visto. Estava tão bela, era um pequeno botão de rosa. Seu rosto agora molhado de lagrimas, mesmo com medo, era perfeito, seus dentes, sua bochecha rosada, seus olhos verde rubi, como os do irmão.
Antonio a abrasava, e ao longo do silencio que fazia, apenas pensando nas palavras certas para pensar, mas nada vinha a sua cabeça, queria simplesmente desaparecer, ou voltar ao passado e não fazer o que fez, queria poder salva-la, salva-las.
Um grito invadiu o cômodo da casa.
Mas pensou, se Lucy está ali morta, onde está a velha esnobe? Viu o criado mudo caído e a janela aberta, logo imaginou. Aquela senhora que o prendeu, em um lugar, tão sozinho... Agora estava morta.
“O que fazer?” Repetia consigo mesmo.
Ate que... De uma coisa se lembrou, do enterro de sua mãe. Enterros era uma boa maneira de se esconder algumas marcas do passado. Antonio poderia enterrar uma parte do seu passado, quem sabe assim, seus fantasmas morrerão.
Apanhou sua irmã, cuidadosamente, e a levou até a porta da frente da casa. Arrumou-a na mesma posição que sua mãe havia sido enterrada, notou que havia ficado mais difícil de meche-la, então a deixou naquela posição.
Desceu as escadas da entrada de sua casa, caçando um lugar belo para enterrar sua irmã. Achou.
Bem ao lado da entrada de sua casa, havia um canteiro não tratado de flores, pelo visto, ninguém havia as regado durante um bom tempo, mas talvez se começasse a regar agora, haveria um belo canteiro no futuro.
Retirou todas as flores com muito cuidado, cavou um buraco, o mais profundo que conseguiu.
Gotas de suor escorriam pelo seu rosto perfeito, andrógeno, alguns fios de cabelo na frente de seus olhos verdes rubi, como o da mãe e da irmã. Sua roupa vitoriana, agora suja, com alguns rasgos causados pela pá, que usou para cavar o buraco.
Cobriu Lucy com um lençol cor-de-rosa com algumas flores estampadas, o lençol que sua mãe havia costurado à seis anos atrás, especialmente para Lucy.
Seu corpo já não se mexia, estava tão pálida, tão fria, parecia que iria acordar a qualquer momento. Mas não acordou.
Agora Lucy estava coberta por terra e flores roxas.
Antônio jogou Marta em um lugar lamacento, perto do Lago Montres.
O sol estava dormindo, e acordando em outro lugar.
Antônio estava sujo, suas vestes rasgadas e imundas, mas ele não queria se lavar, não queria pensar. Jogou a pá para o lado, ela bateu em uma arvore, que se estremeceu.
Antônio entrou em sua casa, e foi diretamente para o piano, onde tocou a mais triste e raivosa melodia, até errar novamente um dos acordes, e gritar.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Vermelho Escarlate Capitulo 3 - Os Cadáveres
Postado por Marry Gabriele às 14:32
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