Levantei-me com bastante agilidade, o que me custou uma tontura passageira. Lembrei-me de meu sonho, e isso me preocupou, pois poderia realmente estar enlouquecendo, passei tanto tempo no hospício que talvez realmente fosse um psicopata, assassino.
Ontem, minha irmã faleceu. Sonhei com ela esta noite, no sonho, eu havia feito um pacto com um anjo para te la de volta. Talvez seja imaturo de minha parte aceitar este sonho como real, é improvável e impossível.
Talvez eu deva ir comer alguma coisa, e é isso que irei fazer. Desci os degraus, e fui em direção à cozinha, mas não tinha nada para se comer lá. Do que será que elas se alimentavam ali? Será que aquela esnobe da Marta não lhe alimentava corretamente?
Queria poder reclamar agora, mas não posso.
Vasculhei os armários, mas não havia nada.
Perdi a fome. Banhei-me e parei na sala pensando no meu sonho “demoníaco”, levantei a cabeça olhando o teto. E assim passei a maior parte do dia. Me lamentando, me culpando e me ferindo.
Pensei nos tais sonhos, e talvez fossem todos realidade... Ou não. Era impossível, um anjo? Nunca fui tão religioso para que um anjo ajudasse-me.
Mas era tão real, droguei-me apenas em pensar como haveria nascido de minha mente um ser de tal perfeição, com sua pele azeitonada, olhos de cor quase indefinida vermelhos ou verdes, asas enormes e cabelos vermelho escarlate. Um sorriso discreto, as vezes com um ar enlouquecido. Mas tal perfeição me fazia teme-lo.
O Servo também não havia saído de sua cabeça ainda, como poderia haver almas perdidas que fazem favores para anjos por nada?
Prometi à mim mesmo, no mesmo momento que internaria-me em um hospício se voltasse a vê-los.
Levantei-me fui em direção ao piano, o relógio indicava 2 da tarde, o tempo havia passado rápido. Ao chegar perto do piano notei, algo me atingiu no mesmo instante em que observei aflito, uma pena vermelha em cima do piano. Aproximei-me mais e mais, apanhei-a.
_ Uma pena? Hehe... Uma pena... Vermelha? – relembrei, e notei, era tudo verdade.E por um instante não vi mais nada.
A pena se diluiu ao cair da mão de Antonio.
Antonio desmaia.
Via tudo embaçado agora, ao olhar no relógio, notei que era 6.37 PM, o tempo passa rápido quando ele não faz mais sentido nenhum. Lembrei-me do que o Servo o recomendou. “... que durma antes das 6.00 PM, pois assim o processo será menos dolorido”.O que será que ele disse com menos dolorido? Pois iria logo descobrir.
Procurei a pena com meus olhos perdidos, mas não a encontrei. Capotei para trás novamente, aquele havia sido um dia perdido. Gasto por minhas loucuras.
6.59 PM
Ao ponteiro do relógio mudar, uma dor invadiu meu corpo acordado, queimando-me frio por dentro, meus olhos arreganharam-se, minhas mãos suavam, era como se, minha alma estivesse sendo retirada de mim. E depois, a dor sumiu, e eu desapareci, como se estivesse dormindo.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Vermelho escarlate Capitulo 6- Antes da primeira ( Narrado por Antonio)
Postado por Marry Gabriele às 13:56
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