Capitulo 8 - Amanhece
“Ele me perseguia entre as árvores da floresta, era real, intenso. Meu vestido prendeu entre os galhos que empurrava, rasgou-se, e eu continuei correndo contra o vento e os sentidos, apenas sentindo o medo. Parei por impulso, o predador estava na minha frente com seus olhos de cor entre vermelho e verde, sua pele de marfim, e seus cabelos quase brancos...”
Cordélia escrevia seu sonho em seu caderno, não era a primeira vez que via o “predador”, como costumava chamar, em seus sonhos. Já sonhou certa vez que estava presa entre correntes, e ele tentava lhe salvar, mas em todos os finais, acabava matando-a.
_ Não, não gostei desse parágrafo. Talvez deva mudar algo, ou fazer um final, acho que ficou confuso... – resmungava para si mesmo.
Escreveu “Me agarrou entre seus braços novamente, apertava-me, fazendo sentir-me como...”
_Não, não é assim que eu quero... Foi... Real de mais para descrever. – e fecha seu caderno.
Logo após fechá-lo, sua mãe bate na porta do quarto.
_ Cordélia querida, estou indo. – sua voz era tão doce e leve, que como que por um segundo iluminou o quarto, mesmo não estando dentro dele.
_ Tá... – respondeu sem abrir a porta.
_ Te amo querida...
_ Também te amo mãe.
E no mesmo instante, Antonio, ou melhor dizendo, Eliot se banhava.
Cordélia sentia-se só, mas era por ser mimada e infantil, ela sabia o quão estava errada, mas não sabia exatamente o que é certo.
Suas historias baseada em seus sonhos eram apenas para tirá-la daquela realidade que ela odiava. Deveria ter valorizado sua vida e sua mãe, mas não fez. E por isso ela sofrerá e será feliz.
Quanto tempo será que leva para o cadáver de uma pessoa desaparecer? Estudiosos dizem que cerca de 3 à 5 anos, porem depende muito do caso. Mas, será que mesmo o cadáver desaparecendo ele desaparece de nossas vidas? Para que servem os fantasmas?
Enquanto Elizabeth Hallen se despedia de sua filha, Eliot se banhava nas águas do Lago Montres. Enquanto Elizabeth abria o portão de sua casa, dirigindo-se à carruagem simples que lhe aguardava, Eliot vestia-se. Enquanto Elizabeth chegava ao centro da cidade, próximo a casa de sua irmã, Eliot havia acabado de pular o portão e andava em qualquer direção, exatamente para o centro da cidade.
Se algo diferente tivesse ocorrido...
Elizabeth observava os vestidos da vitrine de uma loja próxima onde trabalhava... Eliot a observava...
...Você não estaria lendo isso agora.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Vermelho Escarlate Capitulo 8- Amanhece
Postado por Marry Gabriele às 11:05
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